Ah, o Gasômetro. Consumia três vezes mais água do que toda a população da cidade. Sua fuligem se espalhava pelos arredores. Até que a chaminé foi construída. Uma chaminé grande. Enorme, para ninguém reclamar de fuligem nenhuma! Seria a mais alta estrutura da cidade por um bom tempo (aliás, até hoje é).
O Gasômetro... quem diria que o que está sendo palco de uma Exposição foi tão importante no passado. Quem diria que aquela coisa, agora colorida, foi algo com cor sépia... quem diria que, sem aquela construção, Porto Alegre não seria uma metrópole!
As duas usinas termoelétricas não davam conta de abastecer toda a cidade. Então, uma maior foi construída. Uma tão grande e poderosa que abasteceria os municípios vizinhos também! Foi contratada uma construtora alemã. Então foi construída uma verdadeira maravilha industrial!
Mas e o resto da cidade?
Eu olho para a rua e vejo os trilhos do bonde, abandonados desde que os ônibus chegaram. Vejo a rua dos Andradas, antiga Rua da Praia. Minha mãe me dizia que ali era antes uma praia.
Começo a me lembrar de uma foto de uma manchete na Zero Hora de alguns anos atrás. Não lembro o conteúdo, mas vi uma foto de uma mulher passeando pela praia e um 'lead' dizendo: "Anos 60, quando Porto Alegre ainda era romântica". Ainda? Quer dizer que não era mais? O que fez a cidade perder o romantismo? O progresso? O título de 'metrópole'? Não sei, eu nem havia nascido na época do bonde. Aliás, nem na época da 'Porto Alegre romântica'.
Olho para a rua. Vejo os trilhos fo bonde, abandonados desde que os ônibus chegaram. Penso sobre como deveria ser na época dos bondes.
O bonde pára. Um homem entra nele. O bonde continua. As pessoas andam nas calçadas felizes, falando sobre o resultado do futebol. Praias. Águas limpas. Como é um lago e não um oceano, dá para se tomar água dali. Algumas mulheres ficam se esnobando com uma novidade: o biquíni. Todas querem um.
Nas calçadas, os meninos se divertem rodando pião. As meninas brincam de amarelinha e de boneca. Enquanto o pai está no trabalho, a mãe está fazendo serviço doméstico. E o bonde passa, levando mais um passageiro.
Certas pessoas estão em frente à certas lojas, olhando os televisores. Nas rádios toca o que hoje chamamos de MPB. E o bonde passa, levando mais um passageiro.
No Mercado Público, movimento intenso. Vendedores tentando vender seus produtos a qualquer custo. A única loja que parece tranqüila é a Banca 40, uma sorveteria. Do lado de fora, uma mulher, aparentemente mineira, tenta vender paçoca. E o bonde passa, levando mais um passageiro.
E o sonho se acaba. Choro. Saudades de um tempo que eu nem vivi.
E na minha mente...
...o bonde passa, levando mais um passageiro. Eu.














Comments
mto lindo MESMO
esta de parabens!!
*modo Gangsta-do-Gueto on*
Mano, tipaçim tu owna, sacô maibródi?
Cara, isso tá ótimo.
Sério. o_o
*worships*
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MOVED to ~ninz-c.deviantart.com~ :}
Simplesmente... Perfeito.
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você que fez?
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"Cuida do teu, pra que ninguém te jogue no chão"
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"Everyone can make a work like Picasso, but just genius can sell them."
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